O cinema de terror sempre foi um espaço privilegiado para dar forma aos medos de cada época. Ao longo da história, esses medos ajudaram a construir imagens, estereótipos e imaginários que atravessam a representação de corpos negros. Como aponta a escritora e pesquisadora Tananarive Due, “a história negra é o horror negro”, indicando como experiências de violência, exclusão e resistência estão profundamente ligadas ao gênero.
A masterclass, facilitada por Tati Regis, propõe um percurso pelo horror negro a partir de leituras por década, organizadas em torno das relações entre monstros, raça e memória. O ponto de partida está no início do século XX, com a construção do olhar racial e o cinema como espaço de disputa de imagens. Em seguida, o horror clássico associa o “outro” racializado ao sobrenatural, refletindo marcas do imaginário colonial.
A partir dos anos 60, o gênero passa a incorporar tensões sociais mais explícitas, chegando aos anos 70 com o protagonismo negro e a reapropriação de códigos do horror. Nas décadas de 80 e 90, essas representações se expandem em diferentes direções, atravessando cidade, trauma, espiritualidade e memória.
Após um período de transição nos anos 2000, o horror negro ganha novo fôlego e se reposiciona no debate contemporâneo. Nos anos 2010 e, principalmente, nos anos 2020, o gênero se amplia com novas vozes, destacando perspectivas ligadas à diáspora, ancestralidade, subjetividade e às experiências do corpo feminino negro.
Mais do que um panorama histórico, a proposta é pensar o horror negro como um campo de disputa simbólica, em que monstros deixam de ser apenas figuras do imaginário para se tornarem expressões de memória, história e experiência. Um percurso que revela não apenas o que assombra, mas aquilo que insiste em permanecer e ser lembrado.
Ministrante: Tati Regis

